domingo, 29 de setembro de 2013

Estudos confirmam os efeitos protetores do café nas doenças do fígado

26/08/2013


Estudos confirmam os efeitos protetores do café nas doenças do fígado


Uma revisão da literatura científica publicada em "Liver International" confirma que o café consegue uma redução do risco da progressão para a cirrose, conforme seis estudos analisados. Também, dois estudos mostram que pacientes cirróticos que consumiam entre três ou mais xicaras de café por dia apresentavam menor risco de morte por consequência da cirrose.

Cinco estudos avaliaram o impacto do café na esteatose não alcoólica (gordura no fígado não ocasionada por abuso de bebidas alcoólicas) mostrando uma redução da gravidade e menor resistência a insulina.

Diversos estudos publicados realizados em infectados com hepatite C mostram que pacientes que bebem café apresentam menor fibrose, uma progressão mais lenta da doença e uma maior possibilidade de cura com o tratamento antiviral.

Dois estudos avaliaram o efeito do café na possibilidade de evitar o aparecimento do câncer de fígado, mas não encontraram nenhuma associação. Outros 14 estudos sugeriam algum efeito protetor do café, mas sem conseguir evitar o câncer de fígado.

Alertam os pesquisadores que embora os estudos analisados sugerem que o café é benéfico como uma espécie de tratamento alternativo e complementar aos tratamentos médicos, ensaios clínicos randomizados devem ser realizados para comprovar cientificamente tais resultados.

MEU COMENTÁRIO

Muitos estudos mostram o efeito benéfico do café nas doenças que atacam o fígado. Mas não todos os pacientes toleram o café. Alguns pacientes com cirroses podem ter total intolerância ao café. Se após um café você sente dor de cabeça, sensação de mal-estar, cansaço, cuidado, o café não é benéfico para seu organismo.

Os maiores benefícios são encontrados em pessoas que bebem entre 3 e 5 xicaras de café ao dia. Acima de cinco xicaras o café é contraproduzente.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Impact of Coffee on Liver Diseases: A Systematic Review - Sammy Saab, Divya Mallam, Gerald A. Cox, Myron Tong - Liver Int . 2013; doi: 10.1111/liv.12304 


Carlos Varaldo
e-mail: hepato@hepato.com - e-mail opcional: grupootimismo@gmail.com
www.hepato.com


FONTE:

http://hepato.com/p_progressao/102_port_progressao.html

Fila para transplante de fígado pode chegar a 500 pessoas no Rio, diz médico

26/08/2013


Fila para transplante de fígado pode chegar a 500 pessoas no Rio, diz médico


Fonte: Agencia Brasil

A fila para transplantes de fígado no Rio de Janeiro tem entre 400 e 500 pessoas, sendo que muitas morrerão esperando por uma cirurgia. O diagnóstico é do médico Lúcio Pacheco, coordenador do Centro Estadual de Transplantes (CET), unidade inaugurada este ano, que já fez 45 transplantes de fígado em adultos e tem meta de chegar a 100 cirurgias até o fim deste ano. A mesma equipe médica também realizou nove transplantes em crianças, no Hospital Estadual da Criança, com meta de chegar a 20 até dezembro.

"A gente acredita que conseguirá fazer, no estado do Rio, uns 160 transplantes de fígado, no sistema público e privado. E a gente sabe que parte dessa fila vai morrer esperando um fígado. Um doente que espera um transplante de fígado não tem nenhuma máquina que o mantenha vivo. Ou ele transplanta logo, ou morre. Não fica vivo muito tempo na fila. É uma dura realidade", disse Pacheco.

Em média, um paciente tem indicação de transplante de fígado quando sua expectativa de vida é de dois anos, momento em que ele entra na fila, ordenada pelo critério de gravidade da doença. O primeiro fígado vai para o doente mais grave, baseado em exame de laboratório.

"Nos dois últimos anos, o Rio registrou um salto de quatro doadores por milhão de habitantes para 15 doadores por milhão. Isso aumentou a quantidade de órgãos ofertados à população e os centros existentes anteriormente não teriam condição de atender a essa maior oferta. Nossa média de transplantes no CET é a mesma do Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo, que é o maior centro de transplantes de fígado no Brasil", disse.

De acordo com o médico, mesmo tendo quadruplicado o número de doadores por milhão, é preciso crescer mais, para atender às necessidades por transplantes de fígado no estado. Na Espanha, o país que tem maior número de doadores, são 30 doadores por milhão. Nos demais países da Europa, está em torno de 25, e nos Estados Unidos, 24.

"O Brasil tem dois estados que já ultrapassaram a barreira dos 20 [doadores por milhão]: Santa Catarina e Ceará. No Rio de Janeiro, esperamos chegar próximo de 20 em 2014. Nossa meta é chegar a 22. Precisamos continuar crescendo."

O coordenador do CET destacou que a maior causa isolada de doenças do fígado é a hepatite C, que tem prevalência de 1% a 2% no Brasil, o que significa de 2 milhões a 4 milhões de brasileiros infectados pelo vírus. Dos casos de cirrose hepática, 40% são devidos à hepatite C e mais 20% ao uso abusivo de álcool. A hepatite C é uma doença silenciosa, que ao apresentar sintomas já comprometeu o fígado. Sua transmissão é basicamente por meio de transfusões sangue e o compartilhamento de seringas infectadas. Se diagnosticada precocemente, a hepatite C é curável, em um tratamento de um ano.

Outra doença que vem causando grande número de indicações de transplantes de fígado é a esteatose hepática, que vem a ser o acúmulo excessivo de gordura no fígado, causado por má alimentação e sedentarismo.

O CET foi inaugurado em fevereiro deste ano, funcionando dentro do Hospital São Francisco de Assis na Providência de Deus, na Tijuca, que inclusive recebeu a visita de papa Francisco em julho. Pacheco prevê que, para o próximo ano, seja possível aumentar em 50% o número de cirurgias de transplantes, dependendo basicamente da contratação de pessoal. Outras informações podem ser acessadas pela página do hospital na internet: www.franciscanosnaprovidencia.org.br

Para ajudar a diminuir a fila por transplantes de fígado, o médico recomenda que sejam feitas campanhas de divulgação na mídia, principalmente por meio de filmes e novelas, para conscientizar a população da importância de se fazer a doação. O fígado resiste até 12 horas para transplante e por isso a decisão de doar o órgão deve ser tomada o mais rapidamente possível pelo doador e pela família. Um único fígado tem a capacidade de salvar até duas pessoas, pois uma parte maior pode ser transplantada em um adulto e uma parte menor em uma criança.

Carlos Varaldo
e-mail: hepato@hepato.com - e-mail opcional: grupootimismo@gmail.com
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FONTE:

http://hepato.com/p_geral/130_port_geral.html

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Açúcar - O perigo branco


Açúcar
O perigo branco

Giuliana Bergamo e Paula Neiva


Em meados da década de 70, com a publicação (e o sucesso estrondoso) do livro Sugar Blues, escrito pelo americano William Dufty, o açúcar foi alçado à condição de inimigo número 1 da boa saúde. Era uma obra panfletária contra o que seria, na opinião do autor, o grande problema moderno: o consumo de açúcar refinado. Inúmeros estudos posteriores confirmaram que, se não era o responsável pelo mal-estar da civilização, como exagerava Dufty, o alimento era ainda assim nocivo se consumido puro ou em grandes quantidades. A divulgação desses dados, aliada à imensa popularização das dietas alimentares, fez com que nos últimos vinte anos milhões de pessoas abandonassem ou reduzissem drasticamente o hábito de ingerir açúcar. No Brasil, o consumo per capita anual de açúcar despencou de cerca de 16 quilos, em 1988, para pouco mais de 8 quilos, em 2003. As pesquisas mais recentes na área de nutrição e metabologia mostram que o alimento, principalmente em excesso, está associado a obesidade, diabetes e problemas cardiovasculares, entre outros males. "O açúcar é um alimento calórico e sem nenhum valor nutricional. Por isso, o melhor a fazer é comer pouco", disse a VEJA o médico americano Walter Willett, autoridade mundial em alimentos e professor dos departamentos de epidemiologia e nutrição da Universidade Harvard, nos Estados Unidos.

Além do risco de engordar, há ainda outro ponto que reforça a necessidade de moderação no consumo de açúcar. A ausência de nutrientes faz com que ele seja digerido quase que instantaneamente, o que provoca uma rápida elevação nos níveis de glicemia e otimiza o depósito de gordura nas células. As alterações na glicemia, porém, não são exclusividade do açúcar. Todos os alimentos que apresentam carboidratos em sua constituição também provocam esse efeito – em maior ou menor grau. Para avaliar o impacto sobre a glicemia desse açúcar escamoteado em cada alimento, uma equipe de pesquisadores de Harvard, da qual o nutrólogo Walter Willett faz parte, criou um conceito chamado carga glicêmica. Trata-se de um instrumento capaz de dimensionar quanto uma determinada porção de alimento eleva as taxas de glicose no sangue. Um dos efeitos nocivos da subida rápida e exagerada da glicose sanguínea é o aumento da secreção de insulina pelas células do pâncreas. Esse hormônio é responsável por jogar a glicose para o interior das células, onde ela será metabolizada para se transformar em energia. Insulina em excesso pode baixar as taxas de glicemia rápido demais, o que abre o apetite e faz com que a pessoa coma novamente – e engorde. Além disso, há o risco do desenvolvimento de uma condição chamada resistência à insulina, que pode levar ao diabetes. Esta reportagem traz, com base nas descobertas mais recentes, as respostas às perguntas mais freqüentes sobre o açúcar, o perigo branco ou, muitas vezes, invisível.



1 Por que o açúcar é um vilão?

O problema do açúcar, em especial o refinado, é que ele é 100% caloria, sem valor nutricional. Quando consumido regularmente em grande quantidade ou puro, ele deflagra uma série de reações bioquímicas que podem levar à obesidade, e esta, à hipertensão, ao diabetes e até a alguns tipos de câncer. Isso é sabido pela medicina há muitas décadas. O que existe de novo no estudo do metabolismo do açúcar no corpo vem da medição exata de como outros alimentos podem produzir os mesmos efeitos adversos do doce pó branco.



2 O consumo de açúcar causa automaticamente aumento de glicose no sangue?

Alimentos com alto teor de açúcar, além de ser calóricos, promovem, sim, um aumento rápido dos níveis de glicose no sangue. A glicose é a principal fonte de energia para o corpo humano. Ela é obtida a partir principalmente dos carboidratos – grupo do qual o açúcar faz parte. A glicose só pode ser utilizada pelas células, onde se transforma em energia, na presença do hormônio insulina. Pessoas com sobrepeso, obesidade ou predisposição genética estão mais propensas a desenvolver resistência à insulina. Uma descoberta recente explica as razões: a gordura em excesso funciona como uma glândula produtora de hormônios que desregulam o apetite, como a leptina, a resistina e a adiponectina. A resistência à insulina caracteriza-se pela dificuldade das células do organismo em reconhecer o hormônio, o que pode levar ao acúmulo de glicose no sangue e, conseqüentemente, a uma produção exagerada de insulina. O açúcar de açucareiro não é o único alimento responsável por elevar as taxas de glicose no sangue. Na década de 80, a ciência da nutrição desenvolveu um instrumento, batizado de índice glicêmico, ou IG, capaz de medir a velocidade com que cada alimento aumenta os níveis da glicemia. Depois surgiu outra ferramenta ainda mais prática, a carga glicêmica, ou CG, que avalia as alterações na glicemia causadas por uma determinada porção do alimento.



3 Todos os alimentos que contêm açúcar elevam os níveis de glicose na mesma proporção?

Os alimentos que contêm carboidratos aumentam a glicemia, sem exceção. Entre eles, estão até mesmo os insuspeitos hortaliças e grãos. O impacto dos diversos alimentos sobre as taxas de glicose sanguínea, no entanto, é variável (veja tabelas). Depende da velocidade com que essas comidas são digeridas. Quanto mais rápido, maior é o pico glicêmico. Dentre os fatores que alteram esse índice estão a presença ou não de gordura, fibras insolúveis e proteínas, a forma de preparo e a combinação desses itens com outros à mesa. Por exemplo: a batata cozida apresenta carga glicêmica maior que a da batata frita, porque é isenta de gordura. A mesma batata cozida terá teor glicêmico menor se consumida com casca ou acompanhada de uma fonte de proteína, como um bife. O macarrão feito à base de trigo refinado tem carga glicêmica maior que a versão integral da massa bem cozida. Esta, por sua vez, terá carga glicêmica maior, se comparada com o macarrão integral servido al dente (pouco cozido).



4 O açúcar causa diabetes?

O consumo exagerado de açúcar é parte de uma série de fatores que provocam a doença. Ele é talvez um atalho, o caminho mais rápido para a obesidade, que abre a porta para a resistência insulínica e para o diabetes. Sem que possa ser usada adequadamente pelas células para produzir energia, a glicose mantém-se na corrente sanguínea, obrigando o pâncreas, órgão no qual se localizam as células responsáveis pela produção de insulina, a secretar quantidades cada vez maiores da substância. Caso esse processo seja experimentado pelo organismo por muitos anos, a instalação do diabetes é quase inevitável. Ainda assim, as pessoas com blindagem genética à doença podem viver muitos e muitos anos sem que seu organismo acuse o golpe do abuso de açúcar na dieta. Essa blindagem pode ser reproduzida, mesmo em pessoas com diabetes, com o auxílio de medicamentos. Assim, com a doença sob controle, alguns diabéticos podem ocasionalmente comer doces sem maiores danos ao organismo.



5 É indicado reduzir a ingestão de
alimentos ricos em carboidratos?

Os carboidratos são a principal fonte de energia do organismo. A pirâmide nutricional preconiza que cerca da metade das calorias diárias deve ser consumida sob a forma de carboidratos – preferencialmente os alimentos de baixa carga glicêmica, como os integrais ricos em fibras. Para uma alimentação saudável, no entanto, deve-se levar em conta também a quantidade de calorias e de gordura contida nos alimentos. Não adianta encher o prato com alimentos de baixo teor glicêmico, se esse prato estiver cheio de fatias suculentas de picanha ou de uma quantidade de calorias maior do que o recomendável. Um estudo da Universidade de Sydney, na Austrália, publicado recentemente na revista científica Archives of Internal Medicine, concluiu que dietas de emagrecimento à base de alimentos com carga glicêmica baixa são mais eficientes. A pesquisa acompanhou 129 pessoas com sobrepeso ou obesidade, com idade de 18 a 40 anos, divididas em quatro grupos, com cardápios diferentes cuja composição variava de acordo com a quantidade de proteínas e carboidratos de alto ou baixo teor glicêmico. A perda de peso promovida por todos os regimes foi semelhante. A diferença é que os cardápios de carga glicêmica mais baixa proporcionaram até o dobro da queima de gordura nos primeiros três meses. Ou seja, proporcionaram um emagrecimento mais rápido e mais saudável.



6 Quais são os melhores substitutos do açúcar refinado, fora os adoçantes?

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que a ingestão de açúcar refinado não ultrapasse 10% do consumo diário total de calorias. Isso equivale, numa dieta de 2.000 calorias diárias, a quatro colheres de sopa rasas, aproximadamente. Essa porção inclui tanto a colherinha que adoça o cafezinho de manhã quanto o açúcar usado na receita do bolo ou na do molho de tomate. Por isso, se o objetivo é reduzir calorias e obter um sabor mais próximo ao do açúcar, uma opção é o açúcar light, que mistura o alimento refinado e adoçante. O açúcar refinado também pode ser substituído pelo mascavo ou por mel. A vantagem é que, enquanto o açúcar refinado não contém vitaminas nem sais minerais, o mascavo e o mel possuem. A desvantagem é que, como eles apresentam um poder edulcorante menor, as pessoas são tentadas a usá-los em maior quantidade.



7 As bebidas alcoólicas também
elevam a glicose no sangue?

Boa parte das bebidas alcoólicas é composta de carboidratos provenientes do trigo ou da cevada, da uva ou do milho. É o caso, por exemplo, da cerveja, do vinho e do uísque, respectivamente. É por isso que o consumo de álcool pode alterar os níveis de glicose no sangue. Um copo de cerveja, por exemplo, eleva 50% mais os níveis de glicose no sangue do que uma colher de sopa de açúcar. Para metabolizar o álcool, o organismo consome muita energia. Para isso, tem de recorrer aos estoques de glicose armazenados no fígado e nos músculos. Quando isso ocorre, a pessoa pode ser acometida por tontura, mal-estar, fraqueza e dores no corpo – a ressaca, para ser mais direto.



8 O açúcar vicia?

Por causa do aumento nos níveis de dopamina e serotonina, substâncias produzidas no cérebro e que estão associadas ao prazer e ao bem-estar, o açúcar pode, de fato, viciar. Mas a dependência criada pela sensação de bem-estar e prazer decorrente do consumo de açúcar é mais de ordem psicológica do que química.



9 Por que gostamos tanto de doces?

O atual plantel de seres humanos é resultado de milhares de anos de evolução durante os quais, em diversas fases, comer alimentos adocicados foi vital para a sobrevivência. A humanidade, portanto, está programada para comer doces. A língua e o nariz são forrados de células que têm a função de detectar o sabor e o aroma dos doces. As razões para essa preferência ancestral são duas. Os doces são ricos em glicose, a principal fornecedora de energia para as células. Além disso, o sabor adocicado servia de indicador para que nossos ancestrais pudessem distinguir os alimentos saudáveis dos venenosos e estragados. A diferença básica entre a situação atual e a dos primórdios da evolução humana é a abundância. Os humanos primitivos comiam doces misturados às fibras dos frutos e sempre enfrentavam escassez calórica. Hoje, come-se açúcar não apenas em excesso, mas em concentrações com alto grau de pureza e sem a presença das fibras.



10 Uma interrupção no consumo
de açúcar pode levar à depressão?

Se a dieta exigir o corte radical dos carboidratos (e não apenas do açúcar), isso pode ocorrer. A explicação dos especialistas está na química cerebral. Os carboidratos funcionam como matéria-prima indispensável à síntese de serotonina, o neurotransmissor associado à sensação de bem-estar. Uma queda brusca na oferta desse nutriente pode levar a uma redução considerável nas taxas de serotonina e, com isso, suscitar sintomas de depressão. Além disso, o consumo de doces, especificamente, eleva as taxas de outro neurotransmissor: a dopamina, associada à sensação de prazer. Essa relação explica, por exemplo, por que pessoas com sintomas de depressão ou alterações de humor muitas vezes aumentam o consumo de doces.



11 Adoçante artificial causa câncer?

Ratos submetidos a doses elevadas do adoçante ciclamato apresentaram alta incidência de leucemia. Os especialistas, porém, dizem que, para produzir o mesmo efeito em seres humanos, o ciclamato teria de ser consumido em doses diárias descomunais por décadas a fio. Como toda substância química, os adoçantes devem ser ingeridos com cuidado. Alguns apresentam sódio em sua composição, o que pode aumentar a retenção de líquidos e os níveis da pressão arterial. Por isso, pacientes hipertensos devem preferir adoçantes sem a substância. Alguns adoçantes, como o aspartame e o sorbitol, não são totalmente isentos de calorias. A frutose e o sorbitol podem alterar a glicemia e, por isso, não são recomendáveis para os diabéticos. Como não há estudos que comprovem a segurança do uso de adoçantes e produtos dietéticos por mulheres grávidas, os especialistas recomendam que seu consumo seja moderado durante a gestação.



12 Quais as teses sobre o açúcar propostas no livro Sugar Blues que ainda permanecem atuais?

O tom usado pelo jornalista americano William Dufty (que morreu de câncer em 2002) é panfletário. Sugar Blues é um manifesto de ódio ao alimento. Só para se ter uma idéia da intensidade de suas críticas, Dufty comparava os produtores de açúcar aos traficantes de drogas. Além disso, culpava o alimento pelos mais diversos males – de dores de cabeça a doenças psiquiátricas graves, do diabetes a distúrbios cardiovasculares, passando pelas alergias, inflamações e fadiga. Em defesa de suas teses, ele recorreu a uma centena de estudos científicos. O problema é que, muitas vezes, ele fez uma análise deturpada desses trabalhos – como aquela em que Dufty sugeria que o açúcar pode levar à esquizofrenia. O mérito de Sugar Blues foi chamar a atenção do público para o assunto.

Fontes: Alfredo Halpern, endocrinologista; Ana Maria Lottenberg, nutricionista; Ana Paula Machado Lins, nutricionista; Ariane Severine, nutricionista; Carlos Alberto Werutsky, nutrólogo; Edson Credídio, nutrólogo; Freddy Eliaschewitz, endocrinologista; Geraldo Medeiros, endocrinologista; Henrique Suplicy, endocrinologista; Jorge Horii, engenheiro agrônomo; José Alves Lara Neto, nutrólogo; Mariana del Bosco, nutricionista; Patrícia Bertolucci, nutricionista; Renato Sabbatini, neurocientista; Walmir Coutinho, endocrinologista; Yotaka Fukuda, otorrinolaringologista


Do romance entre uma atriz de cinema e um jornalista americano nasceu um dos livros mais famosos da literatura sobre nutrição: Sugar Blues, o primeiro a apontar o açúcar como o grande vilão da boa saúde, escrito por Willian Dufty e publicado nos Estados Unidos, em 1975. Desde então, já foi vendido 1,5 milhão de cópias ao redor do mundo. No início da década de 70, Dufty conheceu a atriz Gloria Swanson numa festa em Los Angeles. Ela não comia açúcar e ele era um "viciado" em doces. Apaixonado, Dufty cortou o alimento de sua dieta e vasculhou toda a literatura sobre o assunto. O material serviu de base para o seu manifesto. O título é uma referência aos efeitos depressivos da privação de doces nas dietas, o que leva a seu consumo regular e crescente.




MITOS E VERDADES SOBRE O METABOLISMO

O SER HUMANO NASCE COM UM ESTOQUE FIXO DE INSULINA – Falso. A produção do hormônio insulina é ilimitada, mas a quantidade de células produtoras do hormônio é fixa. Em pessoas saudáveis, a produção do hormônio insulina acompanha os altos e baixos das taxas de glicose a que o organismo está sujeito durante o dia e a noite – e esse ritmo é constante. Já a quantidade das células produtoras de insulina, as beta, é limitada – mantém-se inalterada do nascimento à morte. Além disso, elas não se regeneram naturalmente. No diabetes tipo 1, há uma destruição total dessas células. Por isso, os diabéticos têm de recorrer às injeções de insulina. No diabetes tipo 2, as células beta são destruídas progressivamente

BEBER LÍQUIDO DURANTE AS REFEIÇÕES CRIA BARRIGA – Falso. Beber mais de um copo de líquido durante as refeições não é saudável, mas não promove o acúmulo de tecido adiposo na região abdominal. O consumo excessivo de líquido dilui os sucos gástricos, o que pode comprometer a digestão dos alimentos, e leva à dilatação momentânea do estômago, o que pode causar mal-estar. Tudo volta ao normal depois que o líquido for absorvido

O EFEITO SANFONA DESACELERA O METABOLISMO E DIFICULTA A PERDA DE PESO – Verdadeiro. Perder muito peso e voltar a engordar em pouco tempo pode desregular o ritmo metabólico. Quando uma pessoa emagrece e não pratica exercícios físicos, pode haver perda de músculo – de todos os tecidos do organismo, o que mais consome energia. Quando o peso é recuperado, dificilmente a musculatura se recompõe. Com isso, o gasto calórico diário torna-se menor e voltar a emagrecer fica mais difícil

PARAR DE FUMAR ENGORDA – Em parte. Assim como alguns alimentos, a nicotina estimula a produção de serotonina, um neurotransmissor associado à sensação de bem-estar. Parar de fumar leva a uma baixa dos níveis da substância no cérebro, além de provocar alterações no humor. Para suprir a falta do neurotransmissor, é comum que ex-fumantes recorram a quantidades exageradas de doces, especialmente chocolate. Com isso, engordam

O CAFÉ ACELERA O METABOLISMO – Verdadeiro. A cafeína, um dos principais compostos do café, é um estimulante. Seu consumo acelera o metabolismo basal, a energia gasta em funções vitais, como os batimentos cardíacos e a digestão. Esse consumo de energia não é suficiente para promover a queima de gordura. Ou seja, sozinho o café não emagrece. Isso pode ocorrer se seu consumo estiver associado à prática regular de exercícios físicos

O IDEAL É SE ALIMENTAR DE TRÊS EM TRÊS HORAS – Verdadeiro. Os médicos aconselham fazer seis refeições por dia. Nos intervalos entre o café-da-manhã, o almoço e o jantar deve-se fazer lanches leves. Com isso, o metabolismo mantém-se ativo durante todo o dia

O NÚMERO DE BATIMENTOS CARDÍACOS ESTÁ PREDETERMINADO AO NASCIMENTO – Falso. Não se sabe de onde nem quando surgiu esse mito. O que se tem por certo é que o coração de um adulto saudável bate, em média, de sessenta a 100 vezes por minuto. Obviamente, há situações em que ele trabalha num ritmo mais acelerado, como na prática de exercícios físicos. Em outras ocasiões, como durante o sono, o coração tende a bater mais lentamente. Em nenhum desses casos, isso significa que se está gastando ou economizando batimentos cardíacos

Fontes: Walmir Coutinho, endocrinologista,
Rosana Costa, nutricionista, e Nabil Ghorayeb, cardiologista





fonte: revista veja on-line


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sábado, 14 de setembro de 2013

Novas drogas no tratamento da hepatite crônica C



Novas drogas no tratamento da hepatite crônica C

José Carlos Ferraz da Fonseca


Médico especialista em doenças do fígado (Hepatologia)

O tratamento atual da hepatite crônica C estaria baseado na associação clássica de duas drogas: o interferon peguilado e a ribavirina. O percentual de resposta virológica sustentável, ou seja, HCV-RNA negativo no soro (carga viral negativa do vírus da hepatite C) após seis meses do termino do tratamento (provável cura da infecção) é menor que 50% entre portadores do genótipo 1 do VHC. Por outro lado, entre portadores do genótipo 2 ou 3, a resposta virológica sustentável alcança percentuais bem maiores, que variam de 70% a 90%. Portanto, como podemos observar, mesmo após o tratamento, um número significativo de pacientes tratados permanecem positivos para o VHC e com doença hepática crônica progressiva. Na maioria dos casos, retratá-los com IFN peguilado + ribavirina tem sido frustrante, observando-se um percentual muito baixo de cura, variando 2% a 14%. O problema maior no retratamento é o aparecimento de resistência do VHC ao interferon.

Diversos fatores contribuem para o insucesso do tratamento atual e os principais seriam: resistência do VHC ao interferon peguilado; portadores do genótipo 1; redução das doses do interferon peguilado ou ribavirina em decorrência dos efeitos colaterais gravíssimos que ocorrem durante a terapia (anemia, queda acentuada no sangue das células brancas - leucócitos, depressão, síndrome do suicídio); suspensão definitiva da terapia antes do tempo previsto.

Desde 2001, ano da publicação dos primeiros trabalhos científicos sobre o uso da associação do interferon peguilado + ribavirina no tratamento da hepatite crônica C, a pesquisa de novas tem sido extenuante e os resultados finais (fase III) de alguns estudos tem sido animadores. Recentemente (outubro/novembro 2010), durante o congresso (Boston, MA) da Associação Americana de Estudos de Doenças do Fígado (AASLD), do qual participei, foram apresentados os resultados de diversos estudos (fase III) com duas novas drogas “inibidoras de protease”, denominadas farmacologicamente como telaprevir e boceprevir. As referidas drogas, de uso oral, foram sintetizadas por dois laboratórios internacionais, Vertex Pharmaceuticals e Merck &Co.,Inc. (MSD), respectivamente.

Podemos considerar os resultados como excelentes quando uma das drogas, seja o telaprevir ou boceprevir, foi associada ao interferon peguilado + ribavirina, principalmente entre pacientes virgens (naives) ao tratamento. Observa-se nesses estudos, o aumento bem maior da resposta virológica sustentada entre pacientes tratados portadores do VHC com genótipo 1. Todavia, os efeitos colaterais da associação interferon peguilado+ ribavirina + boceprevir ou telaprevir foram exacerbados, principalmente relacionados a anemia. De acordo com os autores desses estudos, índices percentuais muito grandes de anemia grave foram responsáveis pela descontinuidade do tratamento. Portanto, é importante frisar que quando iniciarmos o tratamento como uma das novas drogas, todo o cuidado é pouco e devemos priorizar o monitoramento do quadro hematológico do paciente.

Entre pacientes tratados previamente com interferon peguilado + ribavirina e considerados não respondedores (HCV-RNA positivo durante e após tratamento), o uso do telaprevir ou do boceprevir associado ao esquema clássico (interferon peguilado+ribavirina) revelou aumento considerável nas taxas de resposta virológica sustentável (HCV-RNA negativo no sangue após seis meses do termino do tratamento).

Em 2011 foi lançado duas novas drogas no tratamento da hepatite crônica C, telaprevir e boceprevir. Os resultados são animadores, contudo os efeitos colaterais das duas novas drogas são preocupantes. Recentemente, o Ministerio da Saúde do Brasil liberou as duas novas drogas, sendo a droga Telaprevir a de primeira escolha.. Temos a certeza de que com o advento dessas duas novas drogas, teremos em mãos mais uma arma no arsenal terapêutico contra a hepatite crônica C, apesar dos efeitos colaterais.

Mais recentemente, abril de 2013, foi publicado na revista médica "The New England Journal of Medicine" os resultados de uma pesquisa com uma nova droga denominada de "Sofosbuvir" associada somente a Ribavirina, sem uso do Interferon peguilado, cujos resultados revelaram percentuais de cura (resposta virologica sustentada)  de 78%. O tratamento foi realizado entre pacientes portadores dos genótipos 2 ou 3, com tratamento prévio (Interferon peguilado + Ribavirina) e sem resposta terapêutica. Os efeitos colaterais encontrados foram dor de cabeça, fadiga, insonia e nauseas. Somente em 1% a 2% dos pacientes foi necessário suspender o Sofosbuvir.

Em maio de 2013, novo trabalho, também publicado  na revista científica  "The New England Journal of Medicine"revelou que a associação dessa nova droga 'Sofosbuvir" com a Ribavirina, agora utilizada entre pacientes portadores do genótipo 1, o percentual de resposta virológica sustentada (cura)  foi maior que 80%. Para o paciente, o mais importante no tratamento com a associação Sofosbuvir +Ribavirina é que ele não precisa tomar o Interferon peguilado (injetável). O mais importante ainda, é o tempo de tratamento, que seria não mais do que 16 semanas (4 meses).

Na Semana da Doença Digestiva (Digestive Disease Week- DDW) realizada em maio de 2013 nos Estados Unidos da America, do qual participei, os comentários e palestras cientificas sobre a nova droga "Sofosbuvir" foram o de esperança na "cura total" da hepatite cronica C, e que assim seja.

No meio cientifico e em futuro breve, acredita-se que para alcançarmos uma percentual de cura em quase 100% dos casos, ou seja, a total erradicação do VHC, novas drogas façam parte do “proposto quarteto terapêutico contra o VHC”: interferon peguilado + ribavirina + telaprevir ou boceprevir, ou a associação da nova droga Sofosbuvir com a Ribavirina. Os pesquisadores estão trabalhando neste sentido e dezenas de novas drogas estão sendo investigadas (fases I e II) no tratamento da hepatite crônica C. As principais seriam: danoprevir, vaniprevir, filibuvir, celgosivir, interferon peguilado lambda, BMS-790052, MK-7009, ACG -806, BMS-824393, silibinin, PSI 352938, IDX-375, ANA 598, IDX 184.

FONTE:
http://drjcfonsecaeofigado.blogspot.com.br/2011/01/novas-drogas-no-tratamento-da-hepatite.html