domingo, 18 de agosto de 2013

A transmissão sexual do vírus da hepatite C entre casais heterossexuais monogâmicos - Um novo estudo



12/08/2013 


A transmissão sexual do vírus da hepatite C entre casais heterossexuais monogâmicos - Um novo estudo


O Departamento de Medicina da Universidade da Califórnia em San Francisco, Estados Unidos realizou uma pesquisa com o intuito de determinar se a hepatite C pode ser considerada uma doença sexualmente transmissível. 

Para tal selecionou 500 casais heterossexuais monogâmicos com relacionamento sexual de longo prazo nos quais comprovadamente somente um dos parceiros estava infectado com hepatite C. Não foram aceitos para inclusão casais em que algum se encontra infectado com HIV/AIDS, hepatite B, transplantados, ou utilizavam qualquer tipo de droga sendo todos informados de determinados comportamentos de risco que deveriam evitar durante a duração da pesquisa, como o de evitar compartilhar itens de cuidados pessoais cortantes ou perfurantes e não praticar sexo fora do matrimonio, pois atitudes desse tipo estariam comprometendo o resultado da pesquisa. 

Todos foram testados pelo RNA/HCV assim como realizaram testes do genótipos e do subtipo do genótipo. Os 1.000 integrantes da pesquisa tinham idades variando entre 26 e 79 anos de idade e o tempo de relacionamento sexual era entre 2 e 52 anos de atividade. 

No geral 4% dos parceiros estavam ambos infectados, representando 20 dos 500 casais, mas como somente 9 casais (1,8%) possuíam o mesmo genótipo e sub-tipo não poderia se atribuir a contaminação ter acontecido entre os parceiros discordantes, se descartando a transmissão sexual dos 11 com genótipos ddiferentes. 

Por seqüenciamento e análise filogenética para determinar a relação das sequencias das estruturas do vírus entre casais genótipo-concordantes foi encontrado que somente 0,6% dos casais eram altamente relacionadas, de acordo com a transmissão do vírus dentro do casal. 

Baseado nos 8.377 pessoas/ano de seguimentos da pesquisa, a taxa de incidência máxima de transmissão sexual da hepatite C foi de 0,07% ao ano, ou cerca da necessidade de 190.000 contatos sexuais para a possibilidade de transmissão sexual em casais heterossexuais monogâmicos. 

Concluem os autores que os resultados fornecem informações sobre o risco quantificado necessário para poder aconselhar casais heterossexuais monogâmicos em que um dos parceiros está infectado com hepatite C. Além do baixíssimo risco estimado de transmissão sexual entre os parceiros sexuais, a falta de associação com praticas sexuais especificas no grupo em estudo fornece mensagens de aconselhamento inequívocas e reconfortantes. 

MEU COMENTÁRIO 

Mais um dos tantos estudos já publicados nas mais conceituadas revistas científicas e apresentados nos congressos internacionais que comprova a baixíssima possibilidade de transmissão da hepatite C na relação sexual. Com mínimos cuidados, entre casais heterossexuais monogâmicos a possibilidade de contagio é tão insignificante que não deve se recomendar mudanças na pratica sexual como, por exemplo, recomendar o uso da camisinha. 

Óbvio que ela pode acontecer se existem condições especificas, como ferimentos nos órgãos sexuais dos dois parceiros, ou se a mulher infectada está no período da menstruação e o homem com ferimentos no pênis, se existem doenças sexuais, como HIV, hepatite B, gonorreia e outras que possam facilitar uma possível transmissão do vírus da hepatite C, quando em todos esses casos a proteção com o preservativo deve ser indicada e até obrigatória, assim também quando o ato é praticado com um profissional do sexo. 

Mas não por isso pode a hepatite C ser considerada uma doença sexualmente transmissível, em especial pelos responsáveis da saúde e profissionais de medicina. Passar desinformação demonstra ignorância e desconhecimento científico daqueles que deveriam ser os mais capacitados no enfrentamento da epidemia. 

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Sexual transmission of hepatitis C virus among monogamous heterosexual couples: the HCV partners study - Terrault NA, Dodge JL, Murphy EL, Tavis JE, Kiss A, Levin TR, Gish RG, Busch MP, Reingold AL, Alter MJ - Hepatology. 2013 Mar;57(3):881-9. doi: 10.1002/hep.26164 


Carlos Varaldo
e-mail: hepato@hepato.com - e-mail opcional: grupootimismo@gmail.com
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FONTE:
http://hepato.com/p_transmissao_sexual/102_port_sexual.html

Sobrevida do interferon peguilado e da ribavirina com a chegada dos novos medicamentos na hepatite C?


12/08/2013 


Sobrevida do interferon peguilado e da ribavirina com a chegada dos novos medicamentos na hepatite C?


Para o tratamento da hepatite C 23 novas moléculas se encontram em fases avançadas ou finais das pesquisas (A revolução no tratamento da hepatite C - http://hepato.com/p_pesquisas/113_port_pesquisas.html ) sendo que algumas delas já estarão disponíveis no mercado a partir de 2014. Pode ser que algumas fracassem nos ensaios clínicos, mas certamente muitas delas chegarão ao mercado entre 2015 e 2017. 

O que não se pode esquecer ao falar em tratamento da hepatite C é a importância da resposta imune do hospedeiro, isto é, a reação do organismo do paciente ao efeito do medicamento e o efeito resultante da combinação paciente/medicamento sobre o combate ao vírus da hepatite C. 

Observo que a maioria dos novos medicamentos depende do efeito exercido pela ribavirina durante o tratamento. A ribavirina cumpre um fator que, se ainda é desconhecido na forma de atuação, parece ser fundamental para evitar a recidiva do vírus após o final do tratamento. Em outros medicamentos em pesquisa se observa que a ribavirina atua sobre a modulação imune, conseguindo uma maior barreira ao desenvolvimento de resistência viral. 

O desafio continua sendo nos genótipos 1 e 4 os quais são os mais resistentes aos tratamentos já que apresentam menor resposta terapêutica com o tratamento atual e com muitos dos que estão em pesquisa. Muitos dos novos medicamentos dependerão da combinação com o interferon peguilado para serem eficazes na maioria dos infectados com os genotipos 1 e 4. 

Por tanto, ainda existe uma longa vida para a ribavirina no tratamento da hepatite C e, uma media (ou longa?) vida para o interferon peguilado! 

Carlos Varaldo
e-mail: hepato@hepato.com - e-mail opcional: grupootimismo@gmail.com
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FONTE:

http://hepato.com/p_medicamentos/103_port_medicamentos.html

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Atendendo pedidos dos infectados com os genótipos 2 e 3


12/08/2013 


Atendendo pedidos dos infectados com os genótipos 2 e 3


Entre os infectados com hepatite C aproximadamente 75% possuem o genótipo 1, genótipo para o qual está direcionada a maioria das pesquisas por novos medicamentos, por ser esse genótipo o que merece maior atenção já que é o mais comum e o que apresenta menor possibilidade de cura com o tratamento atual. 

Infectados com outros genótipos reclamam por pesquisas de novos medicamentos para tratamento e como de costume a ansiedade sempre corre mais depressa que as pesquisas, mas posso afirmar que não devem perder a esperança, pois não estão esquecidos ou abandonados pelos pesquisadores. 

Toda nova droga é testada primeiro no genótipo 1. Confirmada sua segurança e eficácia passa então a ser testada em outros genótipos, nos co-infectados HIV/HCV, nos transplantados, nos renais crônicos e assim por diante. É a sequencia lógica da pesquisa, primeiro centrar esforços naqueles que mais necessitam e são mais difíceis de responder para depois, confirmada a segurança se experimentar nos outros grupos. 

Por exemplo, já no final do ano nos Estados Unidos o FDA deverá aprovar o Sofosbuvir, o qual será destinado para o tratamento do genótipo 1, ainda combinado com interferon peguilado e/ou ribavirina, mas também será aprovado para o tratamento dos genótipos 2 e 3, melhor ainda, sem necessidade de utilizar o interferon peguilado, isto é, um tratamento totalmente oral e na maioria dos casos com somente 12 semanas de duração. 

Outro medicamento que também será aprovado pelo FDA ao mesmo tempo é o Simeprevir, em principio para tratamento do genótipo 1 combinado ao interferon peguilado e/ou ribavirina, mas que serve também para o tratamento dos genótipos 2, 4, 5 e 6 e já apresenta excelentes resultados no tratamento de co-infectados HIV/HCV. 

Acho importante relembrar a todos que ansiedade e desespero são ruins para o sistema de defesa do organismo, fazendo com que os vírus se aproveitem da situação e acelerem a progressão da fibrose, por tanto, vamos manter a calma e confiar que tem muito pesquisador olhando para todos os genótipos. 

Em pouco tempo, mais rápido do que imaginávamos meses atrás, novos medicamentos chegarão ao mercado, para todos os genótipos, inclusive alguns deles serão pan-genótipos, isto é, nem será necessário fazer o teste da genotipagem já que serão efetivos em todos os genotipos e subtipos e praticamente todos os tratamentos serão sem interferon. 

Nesse momento uma nova briga estará começando, que será para que os países os aprovem e os introduzam nos sistemas públicos para tratamento gratuito. Mas que nunca será necessário estar unidos e fortalecer as associações de pacientes que lutam pelos direitos do paciente. Nesse sentido dependemos de sua colaboração para estarmos ativos quando da chegada dos medicamentos. 

Carlos Varaldo
e-mail: hepato@hepato.com - e-mail opcional: grupootimismo@gmail.com
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FONTE:

http://hepato.com/p_pesquisas/114_port_pesquisas.html

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Boas notícias nas Hepatites


Boa notícia Nº 1:  PLS - PROJETO DE LEI DO SENADO, Nº 11 de 2011


Altera a Lei nº 7.670, de 8 de setembro de 1988, e o art.186 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, para incluir os portadores das formas crônicas da hepatite B ou da hepatite C, passando esses a ter todos os direitos que hoje tem os infectados com HIV/AIDS.

Se aprovado o Projeto na Câmara de Deputados os benefícios serão muitos, desde garantia por acesso aos medicamentos até retirada do fundo de garantia, PIS/PASEP, auxilio doença e aposentadoria facilitada.

Tendo sido aprovada no Senado federal, a matéria vai à Câmara dos Deputados em caráter terminativo, isto é, passa pelas comissões sem necessidade de ser votada no plenário. Se aprovada seguirá para sanção da presidente Dilma.

É importante você se inscrever para seguir a tramitação e assim escrever aos relatores de cada comissão quando receberem o projeto para apreciação. Os Deputados recebendo e-mails dos interessados aceleram o processo, não ficando esquecido em alguma gaveta.

Acesse http://www.senado.gov.br/atividade/materia/detalhes.asp?p_cod_mate=99051 e faça o cadastro no Site do Congresso. PARTICIPE!



Boa notícia Nº 2:  Hepatite C é sexualmente transmissível?


Hoje enviamos e-mail ao Departamento DST/AIDS/Hepatites para que que na página sobre hepatite C seja retirada do final do texto a TAG que diz ser a hepatite C uma doença sexualmente transmissível, uma DST.

Sempre que uma matéria jornalística colocava que a hepatite C é uma doença sexualmente transmissível e tentávamos uma retração, respondiam que assim se encontrava no site do ministério da saúde, emhttp://www.aids.gov.br/pagina/hepatite-c  e nada mais podíamos fazer para consertar o erro.

Observamos que muita coisa está mudando para melhor no Departamento DST/AIDS/Hepatites desde que assumiu a nova direção, pois em poucas horas recebemos resposta a nosso e-mail, a página foi imediatamente retirada do ar e, uma nova redação será colocada nos próximos dias.

Já era hora, pois reclamávamos disso há uns 5 anos e nunca fomos atendidos. Obrigado aos novos gestores do Departamento para contribuir a diminuir o estigma e discriminação dos infectados com hepatite C.

Carlos Varaldo
e-mail: hepato@hepato.com - e-mail opcional: grupootimismo@gmail.com 
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