sábado, 27 de julho de 2013

Qual o grau de fibrose ou cirrose dos atuais infectados com hepatite C?


01/07/2013 

Qual o grau de fibrose ou cirrose dos atuais infectados com hepatite C?


Os Hospitais dos veteranos de guerra dos Estados Unidos realizaram um levantamento analisando 102.851 infectados com o genótipo 1 da hepatite C, 98% homens com idade média de 58 anos para encontrar qual a situação clínica dos atuais infectados com hepatite C. 

Em 02 de novembro de 2012 o Grupo Otimismo realizou uma pesquisa similar entre seus associados para saber qual o grau de fibrose em que se encontravam, publicada em http://www.hepato.com/p_otimismo/bomba_viral_explodindo.html e agora os hospitais do Veteranos de Guerra realizaram um estudo similar, com maior numero de infectados. 

No total 560 responderam o questionário do Grupo Otimismo encontrando que: 

- Com fibrose mínima ou moderada (F0, F1 ou F2) se encontravam 237 pacientes, representando 42,32% do total; 

- Com fibrose avançada (F3) se encontravam 148 pacientes, representando 26,43% do total; 

- Com cirrose (F4) se encontravam 175 pacientes, representando 31,25% do total. 

Colocamos na ocasião que seria interessante se as sociedades de hepatologia e infectologia solicitassem a seus membros para realizar um levantamento semelhante para poder traçar um quadro de como estamos em cada região do Brasil. É fácil de realizar, pois os dados constam dos prontuários. 

Não recebemos resposta, mas os Hospitais dos veteranos de guerra dos Estados Unidos fez tal levantamento analisando 102.851 infectados com o genótipo 1 da hepatite C, 98% homens com idade média de 58 anos. 

O resultado deles é praticamente o mesmo que encontramos na nossa pesquisa com infectados brasileiros. Esses são os resultados encontrados entre os veteranos de guerra dos Estados Unidos: 

- Com fibrose F0 se encontram 4,2% dos infectados. 

- Com fibrose F1 se encontram 18% dos infectados. 

- Com fibrose F2 se encontram 22,2% dos infectados. 

- Com fibrose F3 se encontram 27,6% dos infectados. 

- Com fibrose F4 (cirrose) se encontram 28% dos infectados. 

COMPARANDO ESTADOS UNIDOS E BRASIL 

- Com fibrose mínima ou moderada (F0, F1 ou F2) no Brasil encontramos 42,32% dos infectados, contra 44,4% encontrado nos Estados Unidos. 

- Com fibrose avançada (F3) no Brasil encontramos 26,43% dos infectados, contra 22,2% encontrado nos Estados Unidos. 

- Com cirrose (F4) no Brasil encontramos 31,25% dos infectados, contra 28% encontrado nos Estados Unidos. 

RESUMINDO 

A situação no Brasil é tão grave como a dos Estados Unidos, onde entre 57,7% no Brasil e 50,2% nos Estados Unidos dos infectados com hepatite C já se encontram com fibrose avançada ou cirrose. Esses pacientes caso não recebam tratamento adequado imediatamente correm sérios riscos de evoluir para uma cirrose descompensada, um câncer de fígado e provavelmente a morte. 

Estados Unidos, atento ao problema, está realizando uma gigantesca campanha de diagnostico oferecendo o teste a todas as pessoas com idade entre 40 e 65 anos de idade, objetivando até o final de 2014 encontrar entre 600.000 e 800.000 infectados, oferecendo tratamento a todos aqueles que o necessitem. Ao realizar cálculos de custo beneficio encontraram que é mais barato diagnosticar e tratar que arcar com as consequências econômicas e sociais da progressão da doença. 

Ao mesmo tempo o Grupo Otimismo fica orgulhoso de seus associados ao ter conseguido um resultado na sua pesquisa que agora é corroborado com os resultados dos Estados Unidos. 

Volto a insistir com as sociedades médicas de hepatologia e infectologia sobre a necessidade de tal levantamento, pois é importante saber qual é a situação atual dos infectados e com isso poder trealizar ações concretas de saúde pública, pois se poucos anos atrás falávamos que estávamos sentados acima de uma bomba viral prestes a explodir o melhor a ser feito é se levantar, pois o pavio está acesso e a bomba viral já começou a explodir. 

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Dados dos Estados Unidos constantes em: Cost-Effectiveness Analysis of Direct-Acting Antiviral Therapy for Treatment-Naïve Patients with Chronic Hepatitis C Genotype 1 Infection in the Veterans Health Administration - Kee Chan, PhD, Mai Ngan Lai, MD, Erik J. Groessl, PhD, Amresh D. Hanchate, PhD, John B. Wong, MD, Jack A. Clark, PhD, Steven M. Asch, MD MPH, Allen L. Gifford, MD, and Samuel B. Ho, MD - Clinical Gastroenterology and Hepatology June 2013 - Accepted Manuscript 


Carlos Varaldo
www.hepato.com
hepato@hepato.com 

FONTE:

http://hepato.com/p_fibroses/102_port_fibroses.html

A menor nível de vitamina D maior fibrose no fígado

01/07/2013 

A menor nível de vitamina D maior fibrose no fígado


A questão-chave em pacientes com hepatite C é a progressão da fibrose hepática em consequência dos danos nos tecidos do fígado causados por uma infecção viral, com o desenvolvimento de cirrose e suas complicações. 

Vários fatores de risco já são bem conhecidos para acelerar a progressão da fibrose os quais incluem a necro inflamação do fígado, a maior idade do paciente, o consumo de álcool, o tempo passado desde que aconteceu a infecção, as co-infecções que possam existir, alterações metabólicas, esteatose, a resistência à insulina, e a menopausa, todos eles afetam o grau de fibrose hepática. 

Neste jogo complexo e interessante entre fígado e fatores metabólicos, cada vez existem mais evidências que sugerem também um papel importante da vitamina D sobre a gravidade da doença hepática em pacientes com hepatite C. 

Estudo realizado na Itália em 260 infectados com o genótipo 1 confirma pesquisas anteriores que mostram que a vitamina D exerce um efeito protetor, inibindo a proliferação de células estreladas e sua ativação profibrogenica. 

Concluem os pesquisadores que a vitamina D tem, por tanto, um papel relevante em pacientes infectados com hepatite C, e seu metabolismo é regulado por vários fatores ambientais, em particular pela ação direta da luz do sol. 

MEU COMENTÁRIO 

Posso parecer obsessivo, mas sempre insisto na importância da vitamina D no metabolismo do organismo. Não somente em infectados com as hepatites B e C, mas também em transplantados, pacientes com câncer, diabéticos, doenças autoimunes e muitas outras, pois esta mais que comprovado que pessoas com essas doenças que tenham níveis baixos de vitamina D apresentam maior aceleração na progressão da doença e menor possibilidade de cura com os tratamentos. 

O teste que mede a vitamina D é chamada de 25-hidroxi-vitamina D e atualmente se recomenda como mínimo um nível de 32 mcg / L 

Muitos alimentos, em especial a leite e seus derivados são excelentes fontes de vitamina D. Existem também suplementos orais, mas para que a vitamina D seja metabolizada pelo organismo é necessário que a pessoa tome sol, entre 15 e 30 minutos do sol mais forte, entre as 10.00 e 15 horas do dia, sem protetor solar. 

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Association of Vitamin D Serum Levels and Its Common Genetic Determinants, With Severity of Liver Fibrosis in Genotype 1 Chronic Hepatitis C Patients - S. Petta, S. Grimaudo, V. D. Marco, C. Scazzone, F. S. Macaluso, C. Cammà, D. Cabibi, R. Pipitone, A. Craxì - J Viral Hepat. 2013;20(7):486-493. 


Carlos Varaldo
www.hepato.com
hepato@hepato.com 
FONTE:


http://hepato.com/p_fibroses/103_port_fibroses.html

Probabilidades de progressão da fibrose e da cirrose

01/07/2013 


Probabilidades de progressão da fibrose e da cirrose


Estudo realizado pelos hospitais dos veteranos de guerra dos Estados Unidos, um dos centros de maior experiência no tratamento da hepatite C do mundo, analisou os dados dos prontuários clínicos de 189.065 veteranos infectados com hepatite C (80% infectados com o genótipo 1) e entre esses os dados de prontuário de 102.851 infectados com o genótipo 1 permitiram elaborar estimativas sobre a probabilidade anual de progressão da fibrose e da cirrose em pacientes que nunca receberam qualquer tratamento antiviral. 

Os dados são interessantes e confirmam estimativas anteriores que estimam que entre a ocorrência da infecção até chegar a cirrose podem passar em media 25 anos. O estudo atual chegou a uma média de 30 anos, mas como são dados estatísticos de populações diferentes, devendo ainda se considerar que muitos dos veteranos de guerra estão sendo acompanhados e por tanto podem estar tomando cuidados preventivos, por tanto, a média encontrada coincide e valida a estimativa universalmente aceita de 25 anos de progressão quando considerada a população geral. 

O estudo não foi feito com a finalidade de calcular a progressão anual da fibrose. Retirei os dados de um excelente estudo de calculo do custo de tratamento da hepatite C utilizando interferon peguilado e ribavirina, boceprevir com interferon peguilado e ribavirina e telaprevir com interferon peguilado e ribavirina. 

IMPORTANTE: considerar a probabilidade anual de evoluir a fibrose ou cirrose como uma estimativa média, pois alguns podem evoluir muito mais rapidamente e outros mais devagar, isso porque cada organismo reage de forma diferente ao ataque do vírus ou porque alguns possuem outras condições ou doenças que aceleram a progressão da fibrose ou atacam o fígado, por tanto, as probabilidades devem servir somente como uma curiosidade e não como uma formula matemática aplicada a todos os infectados. 

Possibilidade de progressão anual da fibrose ou cirrose em infectados sem outras doenças ou condições: 

- F0 - entre 10,4% e 13% de possibilidade por ano para progredir para fibrose F1. 

- F1 - entre 7,5% e 9.6% de possibilidade por ano para progredir para fibrose F2. 

- F2 - entre 10,9% e 13,3% de possibilidade por ano para progredir para fibrose F3. 

- F3 - entre 10,4% e 12,9% de possibilidade por ano para progredir para fibrose F4 (Cirrose). 

- F4 (Cirrose) - entre 3,2% e 9,5% ao ano podem evoluir para a cirrose descompensada. 

- F4 (Cirrose) - entre 1,7% e 5% ao ano podem evoluir para o câncer no fígado. 

- F4 (Cirrose) - em pacientes curados (com resposta sustentada) entre 0,5% e 1,5% ao ano podem evoluir para a cirrose descompensada. 

- F4 (Cirrose) - em pacientes curados (com resposta sustentada) não foram encontrados casos de evolução para o câncer de fígado. 

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Dados constantes em: Cost-Effectiveness Analysis of Direct-Acting Antiviral Therapy for Treatment-Naïve Patients with Chronic Hepatitis C Genotype 1 Infection in the Veterans Health Administration - Kee Chan, PhD, Mai Ngan Lai, MD, Erik J. Groessl, PhD, Amresh D. Hanchate, PhD, John B. Wong, MD, Jack A. Clark, PhD, Steven M. Asch, MD MPH, Allen L. Gifford, MD, and Samuel B. Ho, MD - Clinical Gastroenterology and Hepatology June 2013 - Accepted Manuscript 


Carlos Varaldo
www.hepato.com
hepato@hepato.com 




FONTE:


Tribunal considera comentários na empresa como prova indiciária da dispensa discriminatória de portador de hepatite

01/07/2013 


Tribunal considera comentários na empresa como prova indiciária da dispensa discriminatória de portador de hepatite


Quem nunca ouviu falar da famosa "rádio peão", aqueles comentários que rolam pelos corredores dos locais de trabalho, envolvendo questões relacionadas à empresa, ao serviço, aos chefes ou aos colegas de trabalho? 

Pois é, a comunicação interpessoal é característica do ser humano e esse disse-que-disse onde quer que pessoas se reúnam chega a ser inevitável. Nem tudo o que circula por esse meio informal de comunicação pode ser verdadeiro, mas quando todos comentam um mesmo fato e repetem a mesma história, isso pode ser um sinal de que alguma coisa de real há na origem dos boatos. Afinal, onde há fumaça, há fogo! 

A Justiça do Trabalho de Minas apreciou, recentemente, uma situação em que os comentários que circulavam pela empresa foram utilizados como prova indiciária (todo e qualquer rastro ou vestígio relacionado a um fato comprovado que conduz, por meio de um raciocínio lógico, a outro fato, até então, desconhecido), para manter a condenação de uma empresa ao pagamento de indenização pela dispensa discriminatória de um empregado portador de hepatite C. 

A 3ª Turma, julgando desfavoravelmente o recurso da empresa, confirmou o entendimento adotado pelo juízo de 1º grau, no sentido de que, apesar de nenhuma das testemunhas ouvidas terem presenciado os fatos alegados como geradores do dano moral, a ação discriminatória da empresa ficou comprovada. 

Para tanto, foi considerada a dificuldade de demonstração da prática discriminatória, bem como o relato das testemunhas no sentido de que teriam ouvido comentários a respeito e presenciado o reclamante emocionalmente abalado. 

O juiz convocado Márcio José Zebende, relator do recurso, após frisar que a reparabilidade do dano moral está baseado na teoria da responsabilidade civil e tem como objetivo precípuo o respeito mútuo entre os seres humanos, destacou que a situação exigia análise detida da prova oral. 

Uma testemunha relatou que não ouviu o encarregado falando com o reclamante acerca da doença, mas ouviu comentários através da "rádio peão". Ele disse ter ouvido que, após retornar da licença médica, o reclamante foi questionado pelo representante da empresa sobre o motivo do afastamento. 

E, ao responder que tinha sido acometido de hepatite C, o encarregado teria dito a ele que não poderia mais trabalhar ali, pois iria contaminar todo mundo. Esses fatos foram confirmados pela outra testemunha ouvida. Ambas declararam ter visto o empregado deprimido, muito abalado. 

Diante da prova oral e dos documentos que comprovam a doença, o relator concluiu que o empregado demonstrou suas alegações de forma suficiente. "Entendo, como constatado na origem, que situações como estas, de condução discriminatória, ocorrem de forma velada, sendo que o comentário generalizado na empresa sobre a patologia do Reclamante constitui prova indiciária do alegado. 

Ademais, ficou comprovada a caracterização do resultado lesivo do ato para o Reclamante, vez que as testemunhas manifestaram que ficou abalado, chateado com o ocorrido", esclareceu. 

O relator mencionou a recente Súmula 443 do TST (pela qual presume-se discriminatória a dispensa de empregado portador de doença grave que suscite estigma ou preconceito) para corroborar sua conclusão de que a situação narrada na inicial era plenamente crível, diante da desinformação das pessoas acerca da hepatite C. 

"Assim, apesar da hepatite C não ser uma doença tão estigmatizada como o HIV, ainda é passível de preconceito perante pessoas desinformadas, que acreditam tratar-se de patologia facilmente contagiosa em razão de sua gravidade e do órgão que compromete, o fígado", pontuou o magistrado, confirmando a indenização de R$5.000,00 fixada na sentença. 

( RO 0001320-70.2011.5.03.0041 )


Fonte: Tribunal Regional do Trabalho 3ª Região Minas Gerais, 28.06.2013 

Carlos Varaldo
e-mail: hepato@hepato.com - e-mail opcional: grupootimismo@gmail.com
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FONTE:

http://hepato.com/p_leis_direitos/102_port_leis.html